Com os seus cabelos loiros e compridos a esvoaçarem empurrados pela brisa do vento. Com meia dúzia de madeixas de cabelo a taparem-lhe o rosto, branco e suave. Com o nariz pontiagudo, meio empinado, olhando na diagonal para a direita com indiferença no olhar. Olhos pretos como carvão. Corpo esguio, bem definido, pernas fortes e resistentes. Mãos grandes, masculinas. Caminhava para casa, com dois sacos de compras em cada mão. Passo a passo, não olhando para nada, como se tivesse duas palas e uma placa no pescoço que obrigasse aquela posição de rosto. Tropessou numa pedra que não viu, largou os sacos enquanto a gravidade o puxava, as compras voaram, as mãos ficaram ensaguentadas, numa tentativa de aparar a queda. Do outro lado da rua, um homem, alto, de smoking cinzento, mas sem qualquer problema. Caminhou do outro lado da rua, pousou os joelhos no chão, e ajudou a arrumar as compras nos sacos após receber a negação perante a ajuda que oferecia. Já com as compras que se encontravam espalhadas todas arrumadas, ambas as mãos se tocaram, olharam olhos nos olhos. O castanho da iris dos olhos do homem brilhou, em contacto com o preto dos olhos de quem o admirava. Uma onda de calor correu os dois corpos. João pegou nos cabelos louros de Rui. Puxou-os encaminhando os seus lábios um para o outro. Ambos os narizes tocaram-se. Quebrando qualquer tipo de gelo os desconhecidos continuaram de olhar fixado. Rui colocou a sua mão sobre a bochecha de quem o acompanhava deixando-o ensaguentado. Acariciou aquele rosto, apenas deixando dois dedos que encaminhou para a boca de João. Acompanhou os lábios deste, que mais tarde lhe chupou os dedos, eram amargos, sabiam a terra mas estavam perfumados por baunilha parecia. O joelho de João roçou pelas virilhas de Rui. Deixaram os sacos no chão, encaminharam-se para casa e lábios nos lábios, ambos, os homens, se beijaram.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
domingo, 11 de julho de 2010
Leva-me...
Leva-me para lá,
Do teu traço imaginário,
Da loucura, do ordinário,
Leva-me para um lugar,
Onde tudo seja ao contrário,
Torna-me melhor,
Maior, sonhador, admirador,
E deixa-me navegar,
Afundar no teu olhar,
Deixa-me cair,
Sem medo, de para baixo olhar,
Agarra-me a mão,
Larga-a,
Amarra-a,
Apalpa-a, leva-a,
Indica-me o caminho, os traços, a simplicidade,
Do teu rosto,
Dos Teus seios,
Corre,
Para longe de mim,
Mantendo-te por perto,
Para sentir o teu calor,
O teu cheiro,
O teu medo e o meu desespero,
Para ouvir o silêncio,
A rasgar os nossos ouvidos...
Não me leves para lado nenhum.
Do teu traço imaginário,
Da loucura, do ordinário,
Leva-me para um lugar,
Onde tudo seja ao contrário,
Torna-me melhor,
Maior, sonhador, admirador,
E deixa-me navegar,
Afundar no teu olhar,
Deixa-me cair,
Sem medo, de para baixo olhar,
Agarra-me a mão,
Larga-a,
Amarra-a,
Apalpa-a, leva-a,
Indica-me o caminho, os traços, a simplicidade,
Do teu rosto,
Dos Teus seios,
Corre,
Para longe de mim,
Mantendo-te por perto,
Para sentir o teu calor,
O teu cheiro,
O teu medo e o meu desespero,
Para ouvir o silêncio,
A rasgar os nossos ouvidos...
Não me leves para lado nenhum.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Não Digas Nada
Não digas nada,
Sorri, sonha e sente-te amada,
Realizada e completada,
Satisfeita, Perfeita e Respeitada,
Olha-me nos olhos,
Sente o meu calor a invadir-te o corpo,
A correr cada pedaço da tua perfeição,
A dominar a tua imaginação
Sente o silêncio
A ansiedade, o desejo,
O despejo,
Da resistência,
Persistência,
Na tua consciência,
Sente o que eu sinto,
Chora com o meu choro,
Sorri sobre as minhas gargalhadas,
Não digas nada,
Pois o teu olhar basta,
Para despertar as minhas pulsações
Emoções,
Não digas nada,
E quebra apenas o silêncio,
Com o som dos teus lábios a tocarem nos meus,
Com o som das minhas mãos a tocarem no teu corpo,
Com o som do teu cabelo a ser puxado,
Com o som de um abraço,
E com a palavra amo-te.
Sorri, sonha e sente-te amada,
Realizada e completada,
Satisfeita, Perfeita e Respeitada,
Olha-me nos olhos,
Sente o meu calor a invadir-te o corpo,
A correr cada pedaço da tua perfeição,
A dominar a tua imaginação
Sente o silêncio
A ansiedade, o desejo,
O despejo,
Da resistência,
Persistência,
Na tua consciência,
Sente o que eu sinto,
Chora com o meu choro,
Sorri sobre as minhas gargalhadas,
Não digas nada,
Pois o teu olhar basta,
Para despertar as minhas pulsações
Emoções,
Não digas nada,
E quebra apenas o silêncio,
Com o som dos teus lábios a tocarem nos meus,
Com o som das minhas mãos a tocarem no teu corpo,
Com o som do teu cabelo a ser puxado,
Com o som de um abraço,
E com a palavra amo-te.
Subscrever:
Comentários (Atom)