Após horas e horas, sobre o mau tempo, a observar o sol a tentar rasgar por entre as nuvens. Agarrados, a tremer um com o outro, a partilhar o nosso calor um com o outro entrámos finalmente no concerto de Deftones. A segunda música a ser tocada foi a Diamond Eyes, uma música que nos desperta e nos faz recordar memórias e um simples post num blog. Aproximei-me de ti, agarrando-te pelas costas, senti as tuas curvas, apalpando-te, tocando-te enquanto agarravas as minhas mãos e o meu corpo. Ambos sentíamos a música a correr por nós intensamente até fecharmos os olhos. Com os olhos fechados, as pessoas todas que estavam á nossa volta desapareceram, um novo cenário foi composto, apenas a música permaneceu...
Por momentos tudo ficou escuro, apenas a noite predominava, estávamos sobre um lago. Ambos conseguíamos caminhar sobre ele. Estávamos afastados, sempre de olhos fechados. Abracei o ar pois o teu corpo já não estava lá.
-David?! - chamas-te tu, parecias aflita talvez por não estar junto a ti.
Não me mexi, nem abri os olhos, tinha medo do que pudesse visualizar naquele espaço onde apenas sentia água.
Marília...
Estava fria, sem os teus braços, sem o teu peito contra o meu. Chamei-te mas tu não me respondeste, sentia a tua presença mas não sabia onde ela estava. Sonhei com os teus braços em volta dos meus. Abri os olhos. Desejei-te!
-Abre os olhos eu AMO-TE! - esta frase ecoou apesar de estarem no vazio. A voz dela agitou o mar, mas eles não se afundaram.
David...
Quase me desequilibrei com a agitação das águas. Senti verdadeiramente o amor dela naquelas ondas sonoras. À minha volta formou-se um remoinho e o meu corpo entrou nele. Um foco de luz enorme saiu do buraco, tinha o meu peito a ser puxado para cima por uma força invisivel. A luz provinha dos meus olhos, os meus olhos de diamante.
Marília...
Vi o foco de luz. Comecei a correr para lá, não estava muito longe. Aproximei-me demasiado ia sendo sugada pelo remoinho que não tinha visto. Comecei a ver o teu corpo nu a subir com os teus olhos a brilharem. Subiste acima do nivel do mar, a água desapareceu para dar lugar a solo firme. Olhaste-me nos olhos aqueceste-me, fiquei a brilhar. Continuaste em bicos dos pés a olhar para o céu, para o infinito.
O brilho de diamante dos meus olhos estava agora destribuido pelos nossos corpos. Os meus pés poisaram por completo no chão. Deste um passo em frente ficando apenas a um espaço mínimo de mim. Do nada começaste a tirar toda a roupa que permanecia no teu corpo. Ficámos ambos nus. O meu corpo contorceu-se, arrepiei-me. Cai de joelhos, umas asas saíram-me das costas. Eram pequenas. Levantei-me suado. Estavas assustada e ao mesmo tempo maravilhada. Abri os braços para te abraçar, mas tu mais rápida que eu caíste nos meus braços apertando-me com força contra ti. As minhas asas cresceram embrulhando o nosso abraço.
-Voas comigo? - perguntei-te olhando nos olhos.
-Sim amor da minha vida!
Bati com o pé, o chão estremeceu como um terramoto. As minhas asas pretas nas pontas, clareando para o centro abriram-se revelando todo o seu comprimento e largura. O chão abriu-se ao mesmo tempo que uma chuva de pequenos diamantes abriu. Caímos os dois para dentro do buraco. Aliviava a velocidade com as minhas asas. O brilho dos meus olhos voltou mais intenso que tudo, revelando o meu demónio interior, o meu demónio apaixonado.
-Todos estes pequenos diamantes brilham menos que os teus olhos David!
-Quero-te para sempre Marília!
Poisámos levemente na escuridão do subsolo. As minhas asas voltaram a tapar os nossos corpos. Beijámos-nos. As asas abriram e quando abrimos os olhos no fim do beijo um novo mundo criara-se, um mundo maravilhoso onde nos podíamos amar para sempre. Um mundo iluminado pelo brilho extraído dos meus olhos e aquecido pelo calor dos teus lábios...entretanto...a música acabou...