quinta-feira, 15 de julho de 2010

Tabu ou Tentação?

Com os seus cabelos loiros e compridos a esvoaçarem empurrados pela brisa do vento. Com meia dúzia de madeixas de cabelo a taparem-lhe o rosto, branco e suave. Com o nariz pontiagudo, meio empinado, olhando na diagonal para a direita com indiferença no olhar. Olhos pretos como carvão. Corpo esguio, bem definido, pernas fortes e resistentes. Mãos grandes, masculinas. Caminhava para casa, com dois sacos de compras em cada mão. Passo a passo, não olhando para nada, como se tivesse duas palas e uma placa no pescoço que obrigasse aquela posição de rosto. Tropessou numa pedra que não viu, largou os sacos enquanto a gravidade o puxava, as compras voaram, as mãos ficaram ensaguentadas, numa tentativa de aparar a queda. Do outro lado da rua, um homem, alto, de smoking cinzento, mas sem qualquer problema. Caminhou do outro lado da rua, pousou os joelhos no chão, e ajudou a arrumar as compras nos sacos após receber a negação perante a ajuda que oferecia. Já com as compras que se encontravam espalhadas todas arrumadas, ambas as mãos se tocaram, olharam olhos nos olhos. O castanho da iris dos olhos do homem brilhou, em contacto com o preto dos olhos de quem o admirava. Uma onda de calor correu os dois corpos. João pegou nos cabelos louros de Rui. Puxou-os encaminhando os seus lábios um para o outro. Ambos os narizes tocaram-se. Quebrando qualquer tipo de gelo os desconhecidos continuaram de olhar fixado. Rui colocou a sua mão sobre a bochecha de quem o acompanhava deixando-o ensaguentado. Acariciou aquele rosto, apenas deixando dois dedos que encaminhou para a boca de João. Acompanhou os lábios deste, que mais tarde lhe chupou os dedos, eram amargos, sabiam a terra mas estavam perfumados por baunilha parecia. O joelho de João roçou pelas virilhas de Rui. Deixaram os sacos no chão, encaminharam-se para casa e lábios nos lábios, ambos, os homens, se beijaram.

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