domingo, 1 de agosto de 2010

Nada Interessa

Quando apunhalado,
De sangue estancado,
Após ter derramado,
No chão um bocado do seu lado,
Mortal,

Caminhou,
com as mãos sobre a barriga,
Chorou,
Pela sua ira,
Por não conseguir ser ele mesmo,
Por querer lutar, berrar ou gritar,
Enchendo o vazio,
Sorrindo mesmo tendo o corpo frio,

Já nada mais tinha interesse,
Os sonhos,
O Futuro,
O seu bocado imaturo, confuso e obtuso,
Chorou,

Limpou as lágrimas,
Um Homem chora,
Um Homem sofre,
Um homem...é um mortal

Já nada interessa,
As recordações,
As memórias,
Serão passado? Um presente distante?
Serão o amanhã? Ou temos a certeza que foi ontem?

Não consegui ser eu mesmo,
Não consegui admitir que uma lágrima me caiu pelo rosto,
Não consegui criar uma personagem,
Hoje,
Ou quem sabe,
Eu não sei...
Serei eu mesmo...
Nada interessa...
Tenho de ser eu mesmo
Até o sangue,
Se despedir da minha pessoa,
E esvaziar o meu corpo,
Pois nada mais interessa.

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