A crueldade é o sentimento animal dos humanos, os sere que deveriam ser perfeitos, aqueles que deveriam impor a paz. Escrevo aqui neste caderno na esperança que alguém o encontre um dia, na esperança que alguém o respeite. Lá fora o sangue rega os campos, as balas substituiram as sementes enterrando-se no chão. O medo apodera-se de mim, a letra torna-se perturbada, sinto o meu corpo todo a tremer. Estão quarenta graus lá fora devido ás chamas provenientes daquelas armas que eles inventaram, a nossa polvora não chega. Amo-te, é só isso que tenho na cabeça mas sei que não resistirei a este momento, a minha força não chega e nem tu neste momento me podes salvar. Muitos não sabem porque estão a lutar, muitos não sabem porque têm aquele objecto rude e malicioso de metal na mão, muitos nem sabem como aquilo funciona e é por isso que já partiram...Nascemos para a crueldade! Não sei se quero morrer em batalha ou resgatado, mas com a honra de não ter dado informações em relação à minha pátria. O som dos cartuchos cheios de polvora seca aproxima-se, já consigo cheirar o suor dos duzentos homens sem medo, com o seu ódio nos olhos. Vou sair desta tenda, deixando aqui enterrado no chão este caderno. Vou sair desta tenda sabendo que vou ser apedrejado mas não por pedragulhos, mas sim por munições, pois o meu coração está ligado ao teu, mas em breve, não irá estar, mas lá em cima quem sabe num sitio melhor poderei tomar conta de ti. Poderei continuar-te a amar!
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