quarta-feira, 7 de abril de 2010

Impossible way...

O sol nascia a Oeste, focado no meu rosto, infiltrado no meu olhar. Combatia comigo mesmo para abrir os olhos mas não conseguia. Deixei-me ficar parado, suspirei desesperadamente, mas nada mudou. As forças para me levantar não eram muitas, o corpo estava pesado, os sentido estavam desorientados, o mundo girava demasiado depressa. Lembrei-me do que tinha acontecido na noite passada. Apesar de cansado e mole, estava sóbrio, mais sóbrio que nunca, estava apaixonado. Lembro-me de nós os dois deitados, os nossos braços cruzados, agarrando firmemente o corpo um do outro, as voltas que dávamos, os beijos, os olhares, os momentos em que simplesmente não dizíamos nada e aqueles momentos que dizíamos tudo. Parecia nada mais que um sonho, o teu cheiro a penetrar-se no meu nariz, o sabor dos teus lábios, o calor das tuas mãos, os beijos no teu pescoço. Mas agora, não estavas lá. Superei-me consegui abrir os olhos, o teu lugar ainda estava quente, amachucado pelo teu movimento. O teu cheiro desaparecia lentamente, deixando a saudade presente, e tu simplesmente tinhas desaparecido, sem dizer nada, nem um bilhete em cima daquele local onde ambos nos deitámos juntos pela primeira vez. Teria sido culpa minha o facto de desapareceres? Talvez tivesse abusado, talvez estivesse pouco concentrado no que devia, talvez estivesse pouco concentrado em ti. Levantei-me, fiquei com suores frios, procurei-te por todo o lado, continuavas sem aparecer. Subi ao prédio mais alto que encontrei à minha volta, olhei para todo o lado e não te via. Terias sido um sonho? As tuas marcas, o leve traço do teu cheiro, o teu calor teriam sido apenas produto da minha imaginação perdida à deriva do vento? So havia uma forma de comprovar, e como sonhador que sou só existia uma opção, a opção impossivél aos olhos dos outros. Sabia que era real, ainda sentia o teu sabor nos meus lábios. Foi entao que no topo do prédio dirigime até ao extremo, e saltei afirmando que se fosses real conseguiria voar, porque és tu que me dás a inspiração, para sonhar, para ser diferente, para sorrir. Foi então que numa descida a pique, sem protecções, sem para-quedas, apenas com a roupa que se encontrava no meu corpo, me derigia para a morte, me derigia para o fim. Na queda, o teu tocar voltou à minha cabeça, a imagem dos teus olhos, a imgem das nossas mãos dadas, o teu cheiro e o teu calor me invadiram o coração. E como sonhador acreditei que existias, quando umas asas brancas sairam de rasgões feitos por ninguém nas minhas costas e voei, voei em direcção a ti para te rever e dizer que te amo.

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