domingo, 18 de abril de 2010

The Rose and the Pick...

A estrada estava iluminada pelos postes de iluminação que se encontravam enterrados de dez em dez metros. O passeio era estreito, apenas para uma pessoa, estava gelado, com o casaco fechado quase até acima, de mãos nos bolsos. Estava sentado à beira do passeio, sonhava acordado, sonhava com algo que não me consigo recordar neste momento. Vinha a caminho um carro que me obrigou a levantar de repente por passar demasiado próximo do passeio. Já de pé, encostei-me contra a parede, incrivelmente quente, no meio de todo aquele frio. Decidi começar a caminhar, em equilíbrio na borda do passeio. Andei uns trinta metros e foi ai que parei examinando uma luz fundida. Pensei no que levava aquela luz fundir-se, quando poderia estar quente e acesa. Pensei porque estava eu ali gelado interiormente...não obti uma resposta concreta para nenhuma das situações. Remexi as minhas mãos nos bolsos, encontrei a minha palheta mais importante de todas, trouxe-a para o exterior, estava na palma da minha mão, branca com o símbolo da Harley Davidson toquei-lhe e voltei a recolhe-la. Continuei o meu caminho pela beira do passeio, algo me deu um encontrão. Dei mais um passo antes de olhar para trás, quando me virei lentamente, após ter perdido o equilibrio e estar já na estrada, já tinha o teu olhar focado em mim. A luz iluminava-te de cima para baixo, tinhas um gancho em forma de rosa, um rosto lindo. Foi então que me lembrei do que tinha estado a sonhar na borda do passeio, sonhava contigo. Subi o passeio, era mais alto que tu ergui a minha mão com os dedos abertos e senti os teus dedos a tocarem nos meus, a cruzarem-se. Apertava-mos a mão um do outro com força partilhando o nosso calor. Como se já nos conhecesse-mos à muito tempo não foi preciso dizer absolutamente nada. Os teus lábios carnudos aproximavam-se dos meus, chegando eu os meus na tua direcção. Tocaram-se, beijamo-nos, senti uma gota de água a passar pelo meio dos nossos dedos, que continuavam à altura dos nossos corações. Muitas gotas vieram então. Larguei os teus dedos para pôr a minha mão no teu rosto molhado. Senti o teu pescoço, tinhas as tuas mãos no meu peito, subi para os teus caracóis e puxei-os com força, ao mesmo tempo que com a minha mão esquerda que permanecia imovél nas tuas costas te puxei para mim. Os nossos lábios eram quase inseparaveis, os nosso corações a bater fortemente, a minha imagem na tua cabeça e a tua na minha. Abri os olhos, continuava a chover cada vez com mais intensidade. Olhei-te nos olhos e desviei o olhar para o chão, o teu gancho tinha caido enquanto te agarrava nos cabelos, baixei-me para apanhar e quando me levantei já lá não estavas...o meu corpo caiu de joelhos no chão, deitei-me sobre as pedras da calçada, deixei uma lágrima correr pela minha face. Apertei o gancho encharcado com força e ele secou, a chuva tinha parado. Olhei vezes sem contas para o gancho, em forma de rosa, vermelho, perfeito e prometi só to devolver quando deixasse de amar mas isso não chegava precisavas de algo para te recordares de mim, tu sabias que precisavas, mas tinhas partido sem dizer nada. Voltei para casa...estava sozinho, por isso fui sentar-me na varanda, virado para a rua, local onde permaneci até ao amanhecer...Decidi voltar para dentro quando senti o teu cheiro e me voltei repentinamente, quase caia. Eras tu que ias a caminhar olhando por todo o lado como se estivesses à procura de algo. Corri para dentro de casa, descendo as escadas a correr para ir em teu encontro, ainda não me tinhas chegado a ver. Corri com todas as forças para o teu alcance, agarrei fortemente no teu braço e perguntei se procuravas algo, ao que tu respondeste: "sim...tu", uma arrepio de apaixono correu por todo o meu corpo omitido pelo meu coração, tirei o teu gancho do bolso, mostrei-to para saberes que tinha esperança de te rever. Escondi a minha palheta na tua mala, dei-te um beijo e corri para longe. Apertei com força o gancho contra o meu peito e mandei-te uma mensagem para revistares a tua mala, tu fizeste-o, eu não estava lá para ver por isso é que te peço que acabes este texto...

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